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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um sujeito complexo dentro da emersão de um novo paradigma ou 'Quem seremos nós?'

Pensando o ser pesquisador dentro do paradigma da modernidade, em uma fase de emersão de um novo paradigma, me sinto como um adolescente no auge de sua fase rebelde que ainda vive na casa dos pais (um casal rígido e conservador) e é sustentado pelos mesmos.

As verdade absolutas que são apresentadas pelos mais velhos e que ele deveria seguir parecem existir, em grande parte, para serem contestadas e as justificativas axiomáticas põem em dúvida, do ponto de vista do adolescente, a própria lógica que as elaborou: Como podem meus pais ainda pensar assim? Não vêm como tudo está mudando? Não percebem que esses conceitos não dão conta de explicar ou controlar tudo o que acontece comigo?

Em ímpetos de fúria e revolta, o jovem bate portas, grita e promete a si mesmo que assim que possível sairá de casa. Vivendo sozinho, pensa ele, poderá fazer o que quiser, como e quando quiser, mas quando chega o grande dia de sua mudança, organiza a mala enrolando as roupas, como sua mãe disse que seria melhor (porque economiza espaço), pede ao pai uma carona até o novo endereço e lá, livre de qualquer controle, coloca as roupas no guarda-roupas seguindo uma lógica extremamente similar à que sua mãe usava: meias ficam em gavetas, roupas de sair nos cabides (para não amarrotar), roupas de cama e banho devem ter um local específico...

Ao olhar para o antes e depois de deixar a casa dos pais o adolescente se pergunta até que ponto realmmente mudou, olha para o mundo e percebe que, embora o veja como um adulto independente, ainda não tem certeza do que fazer, e o caminho mais fácil e seguro parece insistir em ser aquele que seus pais traçaram, mesmo quando não acredita na premissa que o justifica. Viver as experiências de uma forma mais livre de pré-conceitos e verdades absolutas parece-lhe um desafio que tanto assusta quanto motiva, levando a seguir um caminho que ainda não sabe onde vai dar.

PARA LER E PENSAR:


SANTOS, Boaventura de Sousa. A Crítica da Razão Indolente. Contra o desperdício da experiência. 7.ed. São Paulo: Cortez, 2009.

sábado, 20 de agosto de 2011

Pensando no Plural

A partir da idéia de ecologia dos saberes, apresentada por Boaventura em seu livro “Crítica da Razão Indolente: Contra o desperdício da experiência” (SANTOS, 2009) pensamos o fazer pedagógico nos cotidianos das escolas... e normalmente dizemos isso no plural, mas porquê?

Dizemos no plural porque “uma escola” não é só mais uma, e em cada escola há vários professores, que não são diferentes apenas em aparências, vestires e pensares... são únicos como indivíduos, histórias de vida, saberesfazeres. Também os alunos são indivíduos com subjetividades diversas, e em suas interações diárias os jogos de poderes que emergem no cotidiano não são iguais aos de qualquer outra sala, mesmo que na mesma escola, série e com os mesmos professores.

No entanto, usar a forma plural dos substantivos e adjetivos não é o suficiente.  Cada vez que dizemos “as escolas públicas são”, “os alunos carentes são”, “os professores são/fazem”, “as escolas particulares têm”, “as universidades fazem”... a generalização está presente, é um plural gramatical com reflexo de singular semântico. Trocar os termos e manter a linha de raciocínio que usamos para pensar nossas idéias mantém a limitação do discurso.

Precisamos ampliar os sentidos semânticos atribuídos ao que pensamos e dizemos, pensar de forma problematizadora da realidade, questionar as verdades, as máximas e até as exceções, porque toda exceção pressupõe uma unanimidade, que na verdade é também uma invenção. Tentemos, então, ampliar nossos sentidos de realidade, nossa percepção dos cotidianos e dos saberesfazeres.
Para ler e pensar:
SANTOS, Boaventura de Sousa. A Crítica da Razão Indolente. Contra o desperdício da experiência. 7.ed. São Paulo: Cortez, 2009.